Depois de aprenderem a lidar com vírus e spam --os e-mails que chegam sem serem solicitados pelo usuário--, os internautas agora precisam se proteger de mais uma ameaça à segurança: os spywares, a próxima praga a atingir o mundo virtual, segundo especialistas.
Esses programas se instalam no computador sem que o internauta seja avisado e monitoram as atividades dos usuários na web, registrando os sites mais visitados, por exemplo.
Os aplicativos também provocam estragos, pois interferem no desempenho do micro, travam os PCs e ainda deixam o computador aberto a invasões. Eles podem roubar dados importantes, como senhas e números de cartão de crédito e enviar as informações para ladrões do mundo virtual.
Evitar o spyware pode ser complicado para boa parte dos internautas, pois esse tipo de programa é menos visível que outras ameaças on-line. "O spam quer ser visto, mas o spyware não quer ser identificado", disse Dave Baker, vice-presidente do provedor de internet americano Earthlink.
Pesquisa
Na semana passada, o provedor Earthlink apresentou uma pesquisa sobre os programas espiões. O estudo, que analisou mais de um milhão de computadores, descobriu que, em média, 28 "spywares" haviam sido instalados em cada um desses computadores entre janeiro e março deste ano.
Nos Estados Unidos, a FTC (Comissão Federal de Comércio) já demonstrou que está preocupada com o problema. Mozelle Thompson, uma funcionária da FTC, vai organizar nesta segunda-feira um encontro com outros funcionários da comissão e especialistas para discutir o assunto.
O objetivo é identificar quais são os programas nocivos à privacidade e segurança do internauta. Alguns dos aplicativos são considerados inofensivos, como o WhenU, que não coleta informações pessoais do usuário e pode ser removido facilmente do sistema.
Outros softwares, porém, são piores. Um deles, por exemplo, cria um defeito no computador do usuário e depois oferece anúncios de programas criados para corrigir o defeito no PC.
Privacidade
O Centro para Democracia e Tecnologia propôs uma maneira de diferenciar os aplicativos ilegais daqueles que são simplesmente "irritantes".
Os aplicativos que "seqüestram" a conexão com a internet, monitoram as atividades dos usuários web sem a permissão deles ou não podem ser removidos facilmente do computador devem ser considerados spyware.
Para advogados e legisladores, entretanto, os órgãos que regulamentam o funcionamento desses aplicativos devem levar em consideração a privacidade dos usuários acima de tudo, segundo Ari Schwartz, advogado do Centro para Democracia e Tecnologia.
"Se nos voltarmos apenas para a tecnologia em vez de olhar para a questão da privacidade, teremos novos problemas com os spywares daqui a dois anos", disse o advogado.